terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Deixem a crença das pessoas em paz

Sim, deixem. Os que me conhecem provavelmente podem pensar que me converti a alguma religião, deixando o ateísmo de lado, ou então que a "moda" ateísta passou. Não é esse o caso. Continuo ateu, continuo achando a religião um erro, mas, analisando friamente, o que, em nossa sociedade, faz sentido?

Desde o atentado de 11 de setembro nos EUA, e, com a constante publicidade feita em torno das motivações religiosas, o movimento ateísta ganhou força pelo mundo. Muitas pessoas passaram a assumir a sua descrença, criando uma espécie de embate entre ciência X fé, e, hoje, o principal ringue são as redes sociais. Nelas encontramos as mais diversas publicações, muitas carregadas de um preconceito assustador, tanto dos fieis, quanto dos céticos: "você merece ir para o inferno", diz o fiel ao ateu, como se desejasse o pior lugar que existisse dentro dos universos possíveis da sua crença, e o ateu responde: "e você é burro por acreditar em algo que não existe". Comportamentos idênticos, motivações idênticas: incapacidade de conviver com a diferença

Imagem do Fábio Coala - http://coala-io.deviantart.com/
Voltando à pergunta do primeiro parágrafo: o que faz sentido em nossa sociedade? Mais: o que, objetivamente, faz sentido em nossas vidas? Arrisco a afirmar que, se consultar 100 pessoas, terei 100 possíveis respostas diferentes, cada uma carregada com as respectivas crenças pessoais. E quando digo crença, estou me referindo à nossa capacidade de crer em algo: acreditamos que um estilo musical é melhor que o outro, fundamentamos estas crenças com uma análise técnica, como composição, arranjos, melodia, ou por afinidade cultural ao estilo, como ser integrado ao meio em que ele surge e desenvolve-se; achamos essa ou aquela cor mais bonita; tal quadro como o mais bonito; tal sistema econômico; dia ou noite. Volto a questionar: qual o sentido disto? Se elevarmos esta análise numa instância que extrapole o nosso  determinismo social, haverá uma ordem natural sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, melhor ou pior? Creio - voilá! - que não.

A crença religiosa é uma instituição antiga, esteve/está presente nas mais diversas e longínquas civilizações, e não será você a impor que tal faceta da nossa humanidade acabe pela sua crença na descrença - sim, crença. A imposição gerará distorções, influenciando o lado oposto do resultado desejado: imperfeições individuais e sociais - no próximo texto falarei sobre elas e darei um exemplo prático.

As escolhas dos outros devem ser livres, e não subjugadas à sua visão de realidade. O debate sadio e a lucidez das palavras são as únicas formas de mostrar ao outro que aquilo que você acredita é bom, certo e melhor, lembrando que não existe combate, não existe guerra, existem, sim, diferenças.