terça-feira, 19 de junho de 2012

Do conforto pela ignorância


A transição do sujeito passivo, crédulo e meio puta, para o ativo, cético e proxeneta, é o simples questionamento. Algumas doses mínimas de ceticismo e brotam-se as opiniões próprias. Doses exageradas e tudo perde o sentido. Quando nasce uma pergunta, e sentimos que a resposta dada não é satisfatória, inicia-se o processo de inquietação pela dúvida. É realmente perturbador quando tudo tem que ter uma explicação. Ainda mais perturbador é quando a explicação não mata a sede. É o primeiro passo para o descontrole interrogativo. Fatalmente descobrirá que tudo é vago, nada faz sentido e que as ideias são frágeis e fáceis de serem contrariadas - incluindo o que estou fazendo neste exato momento. Conviver com isto é um existir árduo e frustrante com lapsos de entusiasmo e excitação.

Mais prático e benéfico é estar na ignorância: a mais pura ausência de dúvidas; o estado de espírito sereno; a única divindade prática; a transcendência objetiva. Feliz é o sujeito que vive neste paraíso celestial. Questione apenas uma vez, uma mísera vez, e o processo degenerativo começará. O inferno será destino inevitável.

A ignorância é um deitar na rede numa praia em fim de tarde de verão. É viver despreocupadamente. É ter a convicção inconsciente, ou consciente, de que somos especiais e melhores.

Afinal, para que questionar?


4 comentários:

  1. Imagina, se todos os cientistas, todos os fisicos, quimicos, professores, engenheiros, arquitetos, médicos... Fizessem isso que você citou, é bom viver na ignorância, de não ter cura para seu problema de saúde, não sabe nada sobre o universo, achando que um ser mitologico criou tudo que existe, como seria bom, se não existisse escola, seria bom para as igrejas que ficariam mais ricas. Seria bom se Darwin/Newton/Einstein, nunca tivessem se questionado, e ter descoberto a resposta muitas vezes, aliás para que se questionar, quando se tem bastantes respostas? Para que se perguntar, se grandes filosofos já deram muitas respostas, para que se perguntar se cientistas já resolveram problemas essênciais? Para que se questionar não é mesmo? Vamos usufruir do questionamento das outras pessoas, dos pensamentos de outras pessoas, vamos ser manipulado por outras pessoas, aliás ignorância trás com sigo a manipulação. Somos especiais? Claro que sim, talvez somos a única vida inteligente no universo quer ser mais especial que isso? Como você vai ser uma pessoa melhor se vive na ignorância?

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  2. Esqueci de citar uma coisa, tem que ter momentos de não fazer nada, não pensar em nada, de ir para uma praia, relaxar totalmente, ficar com quem você gosta, como eu digo as vezes, dar uma folga para a mente. Mas não acho que as pessoas tem que fazer isso pela vida inteira. Acho que as pessoas tem que buscar sempre o equilibrio entre duas coisas, não ficar se questionando pela vida inteira a todo tempo, e não ficar a vida inteira também na ignorância. Mas seu texto foi muito bem escrito.

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    1. Bem, não ignoro a fato das descobertas. Afinal, acabei também questionando. Tudo isso acaba por ter um papel e um valor, mas somente dentro do meio que o criou. Fora dele, da humanidade, tudo isto é um nada sem importância.
      Num cenário hipotético, ainda prefiro a ignorância plena de todos, ou não, ou sim, ou não. Tenho dúvidas :S

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  3. ôo Patrick lê outra vez pq vc não entendeu patavinas!

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