segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Cotas em universidades públicas: opinião


Aviso que isso não é um estudo. Há aqui muitas questões que merecem um maior aprofundamento. Se discorda, ou acha que falta algum ponto, deixe um comentário. Tentei organizar o argumento em 3 partes: histórico, social e jurídico.


Lá vai:

As cotas são vistas por muitos como uma forma de ressarcimento histórico. Como se o negro hoje tivesse direito a uma indenização pela exploração dos seus antepassados. De antemão já desconsidero esse argumento como determinante, caso contrário todos nós deveríamos condenar os alemães nos dias atuais, pois Hitler ascendeu legalmente ao poder. Nestes dois casos, a lógica histórica é a mesma. E algo que muitos desconhecem é que os negros eram vendidos por outros negros, e que a escravidão era praticada também entre negros. Não era apenas uma relação branco-negro, mas também negro-negro. Sem mencionar que ela, apesar das diferentes formas, ocorreu - e ocorre - em muitas civilizações, durante um longo período de tempo e fases e em todos os continentes. É tão antiga quanto a prostituição, ou até mais antiga. Quero dizer com isto que uma sociedade não deve pagar pelos erros passados de uma outra, principalmente quando aquela tem uma mentalidade totalmente diferente desta.

Há a questão social de que a pobreza está relacionada diretamente à cor. Os dados provam que há um fundo de verdade nisto. Em Salvador (cidade em que morei), por exemplo, mais de 80% da população é negra ou mestiça, e apenas uma pequena fatia tem acesso ao que a outra parte da sociedade tem. Isto é algo que vi e vivenciei. Em locais frequentados por uma fatia mais rica da sociedade, o número de negros é mínimo, e, proporcionalmente, isto está inversamente errado. Dito isto, volto a afirmar que esse argumento também não é suficiente para o uso das cotas, pois aqui leva-se em consideração apenas a cor da pele, e não o outro fator que explicarei a seguir.

Por fim, há o argumento jurídico. Muitos dizem: "ele é igual a mim, logo devo ter os mesmos direitos que eles", ou "a própria cota é uma forma de preconceito, pois ela formaliza que os negros são intelectualmente inferiores". Mais uma vez há um ponto relevante, que é a igualdade de direitos. Não se pode construir uma sociedade quando uma parte dela é isenta de direito e/ou deveres. Porém - e aqui está o ponto-chave das cotas - há uma forte relação do tema com o Estado de bem-estar social. A nossa Constituição - que é a base e tradução do que somos, queremos e devemos ser enquanto nação - busca uma harmonia, algo fundamental no desenvolvimento social, e a fundamentação legal está em seu Art. 3º.1. Não temos a mesma base histórica dos EUA, logo não podemos adotar a mesma visão sobre a questão das cotas, temos uma visão de sociedade historicamente europeia, e a social-democracia2 é um conceito europeu que deu certo em muitos países. Não se trata apenas do "eu", trata-se do "nós", respeitando, claro, a individualidade. Se pensarmos na formação histórica, veremos que uma sociedade é modelada de acordo com acontecimentos, e há, nisto, a primeira questão que mencionei: a escravidão. É um fator que influenciou - e muito - a nossa origem enquanto nação. Não seríamos o que somos sem os negros, mas também não seríamos sem os brancos, índios, orientais. Mas, destes, os negros - e índios, mas não vou tocar no assunto - foram praticamente excluídos, e é algo que se prolonga até hoje - salvo as muitas exceções. Essa é uma constatação clara.

Se buscamos uma harmonia enquanto nação, se há uma busca formal por uma social-democracia, se há boa parte - quase metade - da população que está excluída da única e verdadeira forma de revolução social (a educação), a cota é sim uma forma de "sanar" esses problemas. E este é o ponto-chave: a cota deve ser referente à renda, e não à cor. E, além disso, deve ser temporal, ou seja, deve ser um direito com tempo estabelecido por metas, e não uma forma perpétua de direito. A própria nomenclatura é um resquício arcaico: nós somos todos da mesma raça, a humana. Deve-se traçar um objetivo, permitir a inclusão e, quando sentir-se que há uma equidade de acesso aos bens da sociedade, quando realmente sentirmos que não somos somente uma nação historicamente mestiça, mas o produto igualitário dela, as cotas já não se farão necessárias.


1 - Art. 3º. da Constituição: clique aqui
2 - Sobre a social-democracia, leia mais em:  A Social-Democracia no Brasil e no Mundo
Crítica sobre a relação da social-democracia e a Constituição: clique aqui

domingo, 11 de novembro de 2012

A nova Bagdá (Repostagem FF)


Este texto foi escrito em 09-12-2010 para o antigo blog Finisticamente Falando. Infelizmente perdi boa parte do conteúdo quando migrei para o WordPress, mas, por sorte, tenho alguns arquivados aqui no Blogger. Tenham em conta que fazem quase dois anos que ele foi escrito.

Para entender o que aconteceu, e o que está acontecendo, clique aqui.




Ainda estou a espera dos respingos que o vazamento da correspondência oficial dos diplomatas norte-americanos publicados pela WikiLeaks causará. Sim, porque todo esse atrito internacional é pouco, muito mais está por vir, mas já trataremos disto.

Para quem ainda não tem conhecimento do acontecido, vai ai um resumão: a WikiLeaks é um site - tipo Wikipédia - que publica informações, documentos ou fotos de conteúdo confidencial através de usuários anônimos. Recentemente a Wikileaks publicou uma série de documentos confidenciais (por volta de 250 mil) do Governo dos EUA, em que seus Embaixadores estavam a trabalhar como espiões nos respectivos países - ingênuo é o que pensa que isto não acontece com todos os outros países. Nem os principais líderes dos países desenvolvidos e os países ditos aliados dos EUA não escaparam. Incluíam-se desde ações do Governo, a acontecimentos internos de interesse americano. Até mesmo pessoas que eram "anônimas" e passaram a ser conhecidas pelo mundo, como é o caso de alguns venezuelanos que lutam pela democracia em seu país.

Localizaram a fonte que forneceu o conteúdo ao site. O soldado americano - pois é, o soldado americano - Bradley Manning. Já está preso, podendo até ser condenado a morte, como já foi pedido por alguns Republicanos. O dono do Wikileaks, o suéco/australiano/apátrida Julian Assange, também já foi preso na Inglaterra, não pela publicação, mas por duas denúncias de abuso sexual.

Muitos Estados querem a prisão do suéco/australiano/apátrida Julian Assange, principalmente o norte-americano, pois configura-se como crime o que foi publicano. Primeiro o sujeito nem cidadão norte-americano é, na verdade nem país tem, logo não pode ser condenado por "trair a pátria"; segundo, condenem o New York Times, The Guardian, El País e Der Spiegel, pois sem estes o mundo jamais teria conhecimento do conteúdo, já que agiram em acordo com o sueco/australiano/apátrida Julian Assange.

Aqui a primeira medida foi deixar o site fora do ar nos Servidores europeus, mas a quantidade de espelhos criados (aproximadamente 1000) ainda permite o acesso ao conteúdo. Como este que uso http://213.251.145.96/



Aos fatos

Poucas semanas atrás aconteceu aqui em Lisboa a Cimeira da OTAN/NATO. Entre os pontos relevantes estava o discurso de como os países membros da OTAN deveriam criar mecanismos de combate ao novo terrorismo: os crimes informáticos (e-crimes), pois o terrorismo diversificou seus meios.

Por ironia do destino - e só por ele - o país tido como "papai da OTAN", e Estado com maior nível de segurança, é alvo da vazamento de informação confidencial, fato que já é noticiado como "O 11 de Setembro da Diplomacia". Como isso é possível?

Caros, vocês estão diante de um novo Iraque, mas com proporções incrivelmente maiores. Vocês irão  assistir nos próximos meses a um debate feroz por algum tipo de regulamentação internacional da informação na Internet, ou de normas que facilitem o bloqueio a Servidores pelos Estados, algo que muitos países tentam a todo custo, inclusive plantando a própria cruz, e o pior: através da desconfiança e do medo.

Na minha cabeça - e atenção: em minha cabeça - essa "fuga" foi facilitada pelo EUA, pois não há meio melhor para manipular o homem  do que através do medo. Foi assim que a Roma contemporânea fez o que faz durante décadas.

Eles já sabiam que a primeira providência era retirar o Wikileaks do ar, e sabiam que uma das reações era a invasão de vários sites por Hackers, como aconteceu ao do MasterCard, impossibilitando o pagamento online pelos seus clientes.

Já temos o novo Saddam, aquele que facilitaram a chegada ao poder. E que deu o exemplo: vejam o que acontece com aqueles que não aceitam a nossa dementocracia. São literalmente enforcados.

Já temos a nova Bagdá: o seu computador. Ele e o acesso a toda informação pessoal que esteja disponível na Grande Rede, isto quando o Estado sentir que você é um "potencial terrorista".

Do fundo das minhas entranhas, espero muito - muito - estar enganado.

PS: Ainda penso que é uma crise na sonhada globalização, mas o Jamelão acha que não. Vou tentar convencê-lo e depois digo algo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Há espaço para a crítica

Todos os dias - sem exceções - vejo críticas aos políticos, juristas, jornalista, jogadores de futebol, atores, canais de TV, músicos, estilos, moda, ou seja, a tudo que a humanidade produz. Todas essas  críticas geram uma reação, mas nenhuma é tão agressiva, tão desorientada, tão irracional quando se trata de críticas à crença religiosa, uma igreja, ou mesmo a um líder religioso. 

A fé, o crer sem necessária prova, esta fixação que despreza a evidência, gera um comportamento bastante agressivo no sujeito que ultrapassa o limite do simples crer e entra no campo do fanatismo, este que é o canalizador mais obscuro da mente humana, pois é uma fonte de motivação para as mais diversas barbaridades que podemos imaginar - e a história é prova disto. A simples recusa da crítica, sem qualquer argumentação coerente, já é indício de que o limiar entre a fé e o fanatismo foi ultrapassado. 

Fatático - Juggernaut X-Men

"Fanatismo (algumas características do fanático disponível na Wikipédia1)

  • Agressividade excessiva;
  • Preconceitos variados;
  • Estreiteza mental;
  • Extrema credulidade quanto a um determinado "sistema";
  • Ódio;
  • Sistema subjetivo de valores;
  • Intenso individualismo;
  • Demora excessivamente prolongada em determinada situação/circunstância."


Se há espaço para criticar todos as manifestações humanas, há espaço, também, para criticar a fé quando esta se manifesta, justamente por ela não ser somente um produto isolado e abstrato, mas, sim, mais um conceito que gera resultados práticos, como a utilização de determinada crença para guiar ações que influenciem não somente a própria vida, mas a de muitos, ou, mesmo, de uma comunidade, como é o caso de alguns políticos.

Nossa sociedade evolui - você achando ou não - em busca de um grau cada vez maior de racionalização.  E quando eu digo 'sociedade', incluo as religiões, pois a busca pela adaptação da crença às circunstâncias atuais é sinal de que nem a fé é estática e absoluta, por que, então, a sua falta de argumentos deve ser? 


1 - Fanatismo - ver bibliografia disponível aqui

sábado, 3 de novembro de 2012

1 + 1 = 3


Em 1999, ano de fixação cambial das moedas nacionais em relação/comparação ao euro, o marco alemão valia 1,95, o franco francês valia 6,55. E, por coincidência, ou mero acaso para insustentabilidade atual, os desvalorizados escudo português, peseta espanhola e dracma grego (fixado somente em 2000) valiam, respectivamente, 200,4, 166,38 e 340,751. Há, claro, o entendimento econômico para esta variação, mas há, também, a clara noção de sustentabilidade de toda uma sociedade que viu seu poder de compra ser reduzido drasticamente (a maior reclamação que vejo por aqui), compensada com a facilitação ao crédito. A matemática é simples: perco meu poder de compra + sou induzido a endividar-me = uma hora a corda estica.

Ao mesmo tempo, mas cronologicamente antes, os governos destes países supuseram que quanto mais desvalorizada a moeda, maior seria a produção interna, já que os produtos tornariam-se baratos para o exterior. Mas esta lógica não é válida quando a dependência da importação supera a exportação, como acontecia a Portugal, onde a taxa de importação tinha a fatia de 75%. Este caminho foi seguido tanto pelo PSD, como pelo PS, e a manutenção deste status quo torna-se mais que uma grande possibilidade quando questionado o que a população, em sua maioria, quer mudar: alternar entre PS e PSD - os dois maiores responsáveis pela situação atual. Essa é a grande oportunidade de romper com esse modelo corrompido que também corrompe.

1 - Euro: informações


sábado, 27 de outubro de 2012

Erro conceitual: democracia e laicidade

Já fui acusado de perseguir religiosos por "implicar quando eles viram políticos". Para ser preciso, isso vem de uma conversa que tive com um amigo por criticar abertamente os argumentos do pastor Silas Malafaia, que, com um proselitismo escancarado, tenta confundir a cabeça dos já confusos fieis eleitores.


Não sou contra que religiosos - especialmente pastores - se envolvam na atividade política, acho até que acrescentam mais ao debate público por terem uma ótica diferente sobre algumas questões relevantes. Sou contra, sim, à tentativa descarada de querer comparar o Estado a uma grande igreja. A vida de um político - veja bem, POLÍTICO - deve ser guiada por princípios que regem o Estado, e o conceito de laicidade é um deles. Confundir laicidade com democracia é um erro de interpretação conceitual.

Frequentemente o argumento em defesa desse discurso de uma relação, diria eu, intrínseca é a construção da seguinte lógica argumentativa: "vivo em uma democracia" logo "qualquer um tem o direito de expor o que pensa" logo "posso utilizar camuflar argumentos religiosos para interferir na política". Bem, há aqui dois conceitos distintos e um direito: a liberdade de expressão é o direito de todos expressarem livremente o seu pensamento, sendo este um direito basilar da democracia; um dos conceitos é a laicidade do Estado, e ser laico é o mesmo que ser neutro no que toca a crenças religiosas, ou seja, não favorecer a crença/igreja/religião A ou B, não se apoderar/utilizar de princípios religiosos para motivar a legislação, entre outros; já a democracia tem relação com a ampla participação do povo na política do Estado, seja direta ou indiretamente. Dito isto, temos diferenças: o Estado pode ser democrático, mas 'não-laico' (ex.: Reino Unido); pode ser 'não-democrático', mas laico (ex.: China1); ou, ainda, pode ser 'não-democrático' e 'não-laico' (ex.: Marrocos2). Veja bem, uma coisa nada tem a ver com a outra, e a lógica do argumento, neste caso, é inválida, como exemplifiquei acima.

Amanhã (28-10-2012) acontece o segundo turno em algumas cidades importantes do Brasil, como São Paulo, a maior potência da América Latina. O que se viu ao longo dos últimos dias foi um Malafaia tentando vender seu voto, e, com o dele, o dos fieis. Felizmente a própria população paulistana rejeitou esse pequeno ato de bondade. De uma vez por todas, Malafaia, deixe suas ideias dentro da sua igreja. O dízimo não basta?

1 - Sobre a democracia na China leia aqui e aqui 
2 - Sobre a democracia no Marrocos leia aqui e aqui


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Entre a beleza e a dúvida



Algumas vezes fui criticado pela limitação do meu ceticismo, de como eu poderia me fechar para a beleza que está diante dos meus olhos. "Veja quanta beleza foi criada e não ignore isso!" é o que tentam argumentar. Sempre devolvo com perguntas: se é criado, por que então a Natureza não é estática? Por que o mundo subatômico é caótico? Como ignorar um fato, algo evidente, objetivo, e aceitar uma imposição incoerente, irracional e subjetiva? Nunca obtive uma resposta plausível. As respostas sempre giram - e validam-se - do próprio meio em que, falaciosamente, saem, ou seja, da incoerência. 

Tenho uma concepção de 'realidade' um pouco parecida com a de Richard Feynman. Não sei se estou certo, não sei se estou errado. Na dúvida, fico com a dúvida.



"Eu tenho um amigo que é um artista, e de vez em quando ele toma uma posição que eu não concordo muito bem. Ele segura uma flor e diz:

- Olha como é bonito.

E eu concordo. E ele diz:

- Viu, eu, como um artista, posso ver como isso e tão belo, mas você, como um cientista, desmantela tudo isso e se torna em uma coisa muito chata.

E eu acho que ele é meio maluco. Primeiramente, a beleza que ele vê está disponível para outras pessoas e para mim também, creio eu, embora eu posso não ser tão refinado esteticamente como ele é, mas eu posso apreciar a beleza de uma florAo mesmo tempo, eu vejo muito mais a respeito da flor que ele vê. Eu posso imaginar as células lá dentro. As ações complicadas, que também têm uma beleza. Quero dizer, não existe beleza só nesta dimensão de um centímetro, também há beleza em dimensões menores. A estrutura interna, também os processos, o fato de que...as cores e as flores se evoluíram, a fim de atrair insetos para polinizar é interessante. Significa que os insetos podem ver a cor. Isso adiciona uma pergunta: será que esse sentido estético também existem nas formas mais baixas que são? 

Por que é estético?

Todos os tipos de questões interessantes que com a ciência, o conhecimento, só aumenta a excitação, e mistério, e a admiração de uma flor. Isso só acrescenta. Eu não entendo como pode subtrair.

Se você espera que a ciência venha lhe dar todas as respostas para as perguntas maravilhosas sobre: 

O que somos, para onde vamos, qual o significado do universo, e assim por diante, então eu acho que você poderia facilmente se tornar desiludido e procurar alguma resposta mística para estes problemas. 

Como um cientista pode ter uma resposta mística, eu não sei por que o espírito todo é de entender...

Bem, não importa isso, quero dizer... Nem eu mesmo entendo isso. Mas de qualquer forma, se você pensar sobre isso... da maneira que eu penso o que estamos fazendo... Estamos explorando, estamos tentando descobrir o máximo que pudermos sobre o mundo.

As pessoas me dizem:

- Você está procurando as leis definitivas da física?

Não, eu não estou, eu estou olhando apenas para descobrir mais sobre o mundo. E se acontecer que existe uma simples lei final que explica tudo, que assim seja. Isso seria um descobrimento muito bom. Se acabar ficando que é uma cebola com milhões de camadas, e nós estamos fartos de olhar para essas camadas, então isso é o que seja. Mas seja qual for o resultado, a natureza está lá, e ela vai revelar-se tal qual como ela é. Por isso, quando formos investigá-la, nós não devemos pré decidir o que estamos tentando fazer, exceto para procurar mais sobre isso.

Você vê uma coisa... é que eu consigo viver com dúvida e incerteza em não saber. Eu acho que é muito mais interessante viver sem saber ao invés de ter respostas que podem ser as erradas. Eu tenho respostas aproximadas, e possíveis crenças, e graus diferentes de certeza sobre coisas diferentes. Mas não tenho absoluta certeza sobre nada, e sobre muitas coisas eu não sei nada a respeito, mas não preciso ter uma resposta. Eu não me sinto amedrontado por não saber sobre estar perdido em um universo misterioso sem ter nenhum propósito que é a maneira como realmente é, a tanto o que eu posso dizer...possivelmente. Isso não me assusta.

Entao, com tudo isso, eu nao consigo acreditar nas histórias especiais que foram inventadas sobre a nossa relação com o universo em geral porque... elas parecem ser... muito simples, muito conectadas, muito local, muito provincial.

'A Terra! Ele veio para a terra! Um dos aspectos de Deus veio à Terra, aceite isso!' E olhar para o que está lá fora! Como pode... isso não está em proporção. De qualquer maneira, não adianta argumentar. Não posso argumentar. Só estou tentando lhe dizer, pelo ponto de vista científico, ou pela visão de meu pai, é que devemos olhar para ver o que é verdade. O que talvez seja, ou talvez não seja verdade. Quando você começar a duvidar. O que acho, que para mim, é uma parte muito fundamental da minha alma... é duvidar e perguntar.

Quando você começar a duvidar e perguntar, fica um pouco mais difícil de acreditar."

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

É preciso calejar o punho



Existem situações em que o erro coletivo pode ser justificado pela falta de conhecimento da grande massa, seja por acesso limitado ao conhecimento, justificado por uma aristocracia da informação (conhecimento e dinheiro), ou então por simples ignorância, já que muitas vezes o acesso é satisfatório para que haja discernimento por parte de quem interage. O primeiro caso é, sem margem para dívidas, compreensível, afinal ele não sabe o que está fazendo; o segundo caso deriva de uma preguiça intelectual por parte de quem tem acesso aos meios informativos, mas erra da mesma forma, sendo este erro determinado não pela proposital escolha, mas sim pela simples falta de vontade de pensar.

De certa forma, o contexto e o meio em que a primeira se forma acaba por condicionar a segunda, já que culturalmente somos o produto da soma do ineficiente senso crítico brasileiro. Era assim que eu enxergava os constantes erros por parte do povo na escolha dos seus representantes. Uma espécie de "Coerência, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem". Era a forma que a minha consciência tinha para acalmar minha necessidade de revolta. E a conjugação no pretérito imperfeito condiz com o presente.

Cansei de "passar a mão" na cabeça do povo, fazendo dele uma vítima de si mesmo com direito a perdão. É preciso que se diga a verdade. É preciso que se diga "você é burro!" (nada contra os animais). É preciso agarrar o cidadão(?) na camisa com as duas mãos, sacudi-lo brutalmente e esperar que a trepidação acione seus neurônios. Chega de sentir pena. É hora do choque. Faz-se necessária a revolta.

Minha consciência tem a palma da mão calejada de tanto acalanto, e agora preciso calejar o punho. Os dois de preferência. 


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Merkel e o Casaco Verde

Merkel, o Casaco Verde e Samaras
Dia 09-10-2012, Angela Merkel faz uma visita de cortesia à Grécia para "demonstrar o seu total apoio pressão ao Governo de Antonis Samaras". Um apoio que custa pouco ao povo grego. Apenas cerca de 5% de juros sobre os pacotes de empréstimos de aproximadamente 380 bilhões (ou mil milhões) de euros, os 5 leves pacotes de austeridade - até agora - e uma taxa de desemprego que beira os 25%.

Fã da Merkel
"Merkel, dá-me a tua camisola" PT-PT / "Merkel, me dá sua camisa" PT-BR
Sobre este último pacote de austeridade, a Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) - com quem Merkel mantém uma amizade colorida - exigiu a implementação de uma medida ao serviço policial grego, carinhosamente chamada de MAPP (Meta A Porra[da] No Povo). Este item está no TOP5 do novo pacote, e, segundo indicam os especialistas, seria inegociável. A visita seria para testar se Atenas teria capacidade para cumprir as exigências, pois a presença da chanceler causaria um reboliço popular. Dito e feito: 50 mil apaixonados gregos saudaram-na carinhosamente, e estes acarinhados por 7 mil policiais, com carinho recíproco dos fãs. Felizmente os resultados foram positivos.

Aplicação da MAP eficiente
Aplicação da MAP pouco eficiente
Mais um fã da Merkel na tentativa de entregar um presente
Angelita comemorou os resultados positivos como um gol. Era nítida a sua satisfação pelo grande avanço que o Governo de Samaras demonstrou. Prova disto é o seu casaco verde-merda, usado apenas em ocasiões especiais, como na EURO2012 na partida Alemanha 4 X 2 Grécia, e hoje (primeira imagem) em Atenas. Esta é, definitivamente, a prova concreta do comprometimento para salvar os helênicos.

Merkel e o Casaco Verde na EURO2012 - Alemanha 4 x 2 Grécia


terça-feira, 19 de junho de 2012

Do conforto pela ignorância


A transição do sujeito passivo, crédulo e meio puta, para o ativo, cético e proxeneta, é o simples questionamento. Algumas doses mínimas de ceticismo e brotam-se as opiniões próprias. Doses exageradas e tudo perde o sentido. Quando nasce uma pergunta, e sentimos que a resposta dada não é satisfatória, inicia-se o processo de inquietação pela dúvida. É realmente perturbador quando tudo tem que ter uma explicação. Ainda mais perturbador é quando a explicação não mata a sede. É o primeiro passo para o descontrole interrogativo. Fatalmente descobrirá que tudo é vago, nada faz sentido e que as ideias são frágeis e fáceis de serem contrariadas - incluindo o que estou fazendo neste exato momento. Conviver com isto é um existir árduo e frustrante com lapsos de entusiasmo e excitação.

Mais prático e benéfico é estar na ignorância: a mais pura ausência de dúvidas; o estado de espírito sereno; a única divindade prática; a transcendência objetiva. Feliz é o sujeito que vive neste paraíso celestial. Questione apenas uma vez, uma mísera vez, e o processo degenerativo começará. O inferno será destino inevitável.

A ignorância é um deitar na rede numa praia em fim de tarde de verão. É viver despreocupadamente. É ter a convicção inconsciente, ou consciente, de que somos especiais e melhores.

Afinal, para que questionar?


Um blog: o rereinício


Esta é a terceira vez que tento criar um blog. O Desenformando, que foi a primeira investida, tratava de temas variados, por vezes sem sentido, muito misturado, imaturo - não que hoje esta praga tenha me arrebatado. Depois veio o Finisticamente Falando, onde tentei ser um pouco mais sério, falar de temas complexos e polêmicos. Tentei ser mais sofisticado, mas acabei mandando o conteúdo literalmente para o ralo. Calma ai, os textos não eram tão ruins, o problema é que tentei levar essa fineza a ponto de comprar um domínio e hospedar o site em outro servidor. Resultado disso foi a perda do domínio e da hospedagem. Agora não sei como recuperá-los.

Enfim...

E cá estou com a terceira - e última - tentativa. Nome próprio, pois não quero saber de limites, e, o que vier aqui, será desta mistura difusa que sou . Falarei muita merda, eu sei, mas, no fundo, até a merda cumpre seu objetivo.

Caso esteja desocupado e com vontade de ver o tempo passando inutilmente, o Desenformando tem alguns textos primitivos. Posteriormente tentarei disponibilizar os textos do Finisticamente Falando.

Até a próxima.